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Música, ciência e saúde · UTI neonatal

A música ajuda bebês prematuros?

Uma das áreas com mais pesquisa. Os efeitos mais consistentes estão nos batimentos, na alimentação e, sobretudo, na ansiedade das mães.

12 estudos curados · Como ler a evidência

Em resumo

A UTI neonatal é um dos lugares mais estudados da música em saúde: há pesquisas desde os anos 1970 e pelo menos cinco revisões com metanálise. O bebê prematuro ouve desde a barriga, e todo o sistema auditivo já está formado entre a 23ª e a 25ª semana de gestação.

O que se sabe é sólido em alguns pontos e controverso em outros. As revisões concordam sobre os batimentos e a alimentação, discordam sobre a oxigenação e o sono, e encontram o efeito mais forte não no bebê, mas na mãe.

O que a pesquisa mostra

  1. Peso alto

    Os efeitos mais consistentes no bebê são nos batimentos cardíacos e na alimentação.

    A metanálise de 30 estudos e 1.725 bebês encontrou efeitos grandes na frequência cardíaca e na sucção e alimentação. A revisão mais recente, com 13 ensaios e 1.093 bebês, confirma a frequência cardíaca mais estável e um volume maior de alimentação oral.

    Fontes: Standley (2012), Yue et al. (2020)

  2. Peso alto

    O efeito mais forte de toda a área é na ansiedade das mães.

    Quando a música se soma ao método canguru, com o bebê no colo da mãe, a ansiedade materna cai de forma expressiva. É o achado mais forte e mais replicado das revisões, incluindo a que só aceitou estudos conduzidos por musicoterapeutas.

    Fontes: Bieleninik et al. (2016), Yue et al. (2020)

  3. Peso moderado

    Sobre oxigenação e sono, as revisões discordam.

    As metanálises de 2002 e 2012 encontram melhora na saturação de oxigênio e no estado de sono e vigília; as de 2016 e 2020, com critérios mais rígidos, não confirmam. A diferença vem do tipo de estudo que cada uma aceitou.

    Fontes: Standley (2002), Standley (2012), Bieleninik et al. (2016), Yue et al. (2020)

  4. Peso moderado

    Quanto menor o bebê, maior o efeito.

    Na metanálise de 2012, os bebês com menos de 1 kg ao nascer tiveram o maior efeito de todos, e o efeito diminuiu à medida que o peso aumentava, até deixar de ser significativo acima de 1,5 kg.

    Fontes: Standley (2012)

  5. Peso moderado

    Quem escolhe a música faz diferença.

    Numa revisão de 20 ensaios, os estudos com resultado positivo usaram, na maioria, músicas escolhidas por musicoterapeutas, e não pela equipe de pesquisa.

    Fontes: van et al. (2016)

  6. Peso moderado

    A voz da própria mãe é uma intervenção à parte.

    Uma revisão de 15 estudos com 512 prematuros encontrou mais estabilidade nos bebês expostos à voz materna, quase sempre gravada. A pesquisa trata a voz da mãe como categoria própria, distinta da música.

    Fontes: Filippa et al. (2016)

  7. Peso moderado

    Ganho de peso e efeitos de longo prazo são os menos confirmados.

    O ganho de peso não aparece de forma significativa nas metanálises. Um grande ensaio internacional, com 206 bebês em cinco países, não encontrou efeito da musicoterapia sobre o vínculo entre pais e bebê aos 6 e aos 12 meses.

    Fontes: Standley (2012), Ghetti et al. (2023)

  8. Peso baixo

    Nos procedimentos dolorosos, há sinais de alívio, com estudos frágeis.

    Na punção do calcanhar e em outros procedimentos, os estudos sugerem menos dor e batimentos mais estáveis, mas são pequenos e de qualidade metodológica baixa.

    Fontes: Hartling et al. (2009), Farhat et al. (2009)

O que isso não significa

  • Que qualquer som faz bem ao prematuro. A UTI neonatal já é ruidosa, e os estudos controlam com cuidado o volume, a duração e o momento da música.
  • Que a música acelera o ganho de peso ou garante o desenvolvimento a longo prazo. São justamente os efeitos menos confirmados.
  • Que a música substitui o colo e a presença dos pais. O efeito mais forte aparece quando ela se soma ao contato com a mãe.

Os estudos

Ordenados pelo peso da evidência. Os resumos são nossos; os links levam ao artigo original. Use "Citar" para copiar a referência em ABNT, Vancouver ou Chicago, ou selecione várias e copie todas de uma vez.

Metanálise · 2012 · 30 estudos · 1.725 bebês

Efeitos grandes nos batimentos, no estado de sono e vigília e na alimentação, maiores quanto menor o peso ao nascer.

  • População: Bebês prematuros
  • Modalidade: Mista
  • Peso alto

Standley JM (2012). "Music Therapy Research in the NICU: An Updated Meta-Analysis." Neonatal Network 31(5):311-316. Florida State University.

Metanálise · 2016 · 16 ensaios · cerca de 1.000 bebês

Só estudos com musicoterapeuta. Confirma a respiração mais calma no bebê e uma queda forte da ansiedade das mães.

  • População: Bebês prematuros e seus pais
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso alto

Bieleninik Ł, Ghetti C, Gold C (2016). "Music Therapy for Preterm Infants and Their Parents: A Meta-analysis." Pediatrics 138(3):e20160971. Grieg Academy Music Therapy Research Centre, Bergen, Noruega. (Nome do autor principal grafado "Bielenik" em algumas conversões da fonte; forma correta é Bieleninik.)

Metanálise · 2020 · 13 ensaios · 1.093 bebês

Batimentos mais estáveis, mais alimentação oral e menos choro; não confirma a melhora na oxigenação nem no estado de sono.

  • População: Bebês prematuros
  • Modalidade: Mista
  • Peso alto

Yue W, Han X, Luo J, Zeng Z, Yang M (2020). "Effect of music therapy on preterm infants in neonatal intensive care unit: Systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials." Journal of Advanced Nursing.

Metanálise · 2002 · 10 estudos · 780 bebês

A primeira metanálise da área, com efeitos consistentes em vários sinais vitais e no tempo de internação.

  • População: Bebês prematuros
  • Modalidade: Mista
  • Peso moderado

Standley JM (2002). "A Meta-Analysis of the Efficacy of Music Therapy for Premature Infants." Journal of Pediatric Nursing 17(2):107-113. Center for Music Research, Florida State University.

Revisão sistemática · 2016 · 20 ensaios · 1.128 bebês

Os estudos com resultado positivo usaram, em geral, músicas escolhidas por musicoterapeutas.

  • População: Bebês prematuros
  • Modalidade: Mista
  • Peso moderado

van der Heijden MJE, Oliai Araghi S, Jeekel J, Reiss IKM, Hunink MGM, van Dijk M (2016). "Do Hospitalized Premature Infants Benefit from Music Interventions? A Systematic Review of Randomized Controlled Trials." PLoS ONE 11(9):e0161848.

Ensaio randomizado · 2023 · 206 bebês

O canto dos pais, com apoio de musicoterapeuta, não mudou o vínculo entre pais e bebê aos 6 e aos 12 meses.

  • População: Bebês prematuros e seus pais, em 5 países
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso moderado

Ghetti CM, Gaden TS, Bieleninik Ł, Kvestad I, Assmus J, Stordal AS, et al. (incluindo Mark Ettenberger) (2023). "Effect of Music Therapy on Parent-Infant Bonding Among Infants Born Preterm: A Randomized Clinical Trial." JAMA Network Open, 6(5):e2315750.

Revisão sistemática · 2016 · 15 estudos · 512 bebês

A voz da mãe, quase sempre gravada, trouxe mais estabilidade aos bebês.

  • População: Bebês prematuros
  • Modalidade: Gravada
  • Peso moderado

Filippa M, Panza C, Ferrari F, Frassoldati R, Kuhn P, Balduzzi S, D'Amico R (2016/2017). "Systematic review of maternal voice interventions demonstrates increased stability in preterm infants." Acta Paediatrica.

Revisão integrativa · 2012 · 43 estudos

Uma das poucas revisões que olham também para os pais, e não só para o bebê.

  • População: Bebês prematuros e seus pais
  • Modalidade: Mista
  • Peso moderado

Haslbeck FB (2012). "Music therapy for premature infants and their parents: an integrative review." Nordic Journal of Music Therapy. Autora independente, à época concluindo doutorado sob David Aldridge (Universidade Witten/Herdecke, Alemanha) sobre musicoterapia criativa com prematuros e pais.

Revisão integrativa · 2010 · 35 estudos

Organiza as respostas dos prematuros à música e mostra o quanto elas dependem do controle de volume, horário e posição.

  • População: Bebês prematuros
  • Modalidade: Mista
  • Peso baixo

Hodges AL, Wilson LL (2010). "Preterm Infants' Responses to Music: An Integrative Literature Review." Southern Online Journal of Nursing Research 10(3). University of Alabama at Birmingham.

Revisão sistemática · 2009 · 9 ensaios pequenos

Sinais de benefício em procedimentos dolorosos, como a punção de calcanhar, com estudos de baixa qualidade.

  • População: Recém-nascidos
  • Modalidade: Mista
  • Peso baixo

Hartling L, Shaik MS, Tjosvold L, Leicht R, Liang Y, Kumar M (2009). "Music for medical indications in the neonatal period: a systematic review of randomised controlled trials." Archives of Disease in Childhood – Fetal and Neonatal Edition 94(5):F349-F354.

Ensaio randomizado · 2009 · 44 bebês

Canções de ninar gravadas melhoraram a saturação de oxigênio, sem efeito sobre o ganho de peso.

  • População: Prematuros de muito baixo peso
  • Modalidade: Gravada
  • Peso baixo

Farhat A, Amiri R, Karbandi S, Esmaily H, Mohammadzadeh A (2009). "The effect of listening to lullaby music on physiologic response and weight gain of premature infants." Neonatal Research Center, Mashhad University of Medical Science, Irã. Primeiro estudo do Irã sobre o tema.

Ensaio randomizado · 2019 · 45 bebês

Um dos poucos estudos com bebês a termo: a música gravada melhorou a oxigenação durante os cuidados de rotina.

  • População: Bebês nascidos a termo na UTI
  • Modalidade: Gravada
  • Peso baixo

Alay B, Esenay FI (2019). "The clinical effect of classical music and lullaby on term babies in neonatal intensive care unit: A randomised controlled trial." Journal of the Pakistan Medical Association 69(4):459-464. Apresentado no ESPNIC 2017.