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Música, ciência e saúde · Revisões Cochrane

O que dizem as revisões mais rigorosas da área?

Doze revisões da rede mais rigorosa da medicina, do câncer à depressão. O padrão: benefícios consistentes, evidência ainda de qualidade baixa, nenhum dano relatado.

12 estudos curados · Como ler a evidência

Em resumo

A Cochrane é uma rede internacional independente que reúne todos os ensaios clínicos sobre uma pergunta e avalia, com método rígido, quanto se pode confiar no resultado. Suas revisões são o topo da pirâmide de evidência em saúde.

Há revisões Cochrane sobre música e musicoterapia em pelo menos doze áreas. Lidas em conjunto, elas mostram um padrão claro: a música traz benefícios consistentes, sobretudo para ansiedade e bem-estar; a qualidade da evidência ainda é baixa, porque é impossível fazer um estudo "cego" com música; e nenhuma revisão encontrou efeitos adversos.

O que a pesquisa mostra

  1. Peso alto

    Em pessoas com câncer, menos ansiedade, dor, depressão e fadiga.

    A revisão mais recente, com 81 estudos e 5.576 participantes, encontrou redução da ansiedade, da dor, da depressão e da fadiga, e aumento da esperança. Efeitos sobre qualidade de vida apareceram nos estudos com musicoterapeuta.

    Fontes: Bradt et al. (2021), Bradt et al. (2016)

  2. Peso alto

    Antes de uma cirurgia, a música reduz a ansiedade.

    Em 26 estudos com 2.051 pacientes, ouvir música antes da cirurgia reduziu a ansiedade de forma comparável a efeitos que justificariam o uso clínico, com pequenas reduções nos batimentos e na pressão.

    Fontes: Bradt et al. (2013)

  3. Peso alto

    Em pessoas com doença no coração, menos ansiedade, sobretudo com música escolhida.

    Em 26 estudos com 1.369 pacientes coronarianos, a música reduziu a ansiedade, com efeito maior depois de um infarto e quando o paciente escolheu a música.

    Fontes: Bradt et al. (2013)

  4. Peso alto

    No respirador, efeito grande sobre a ansiedade.

    Em 14 estudos com pacientes ventilados, a música reduziu muito a ansiedade e acalmou respiração, batimentos e pressão.

    Fontes: Bradt e Dileo (2014)

  5. Peso alto

    Em saúde mental, a musicoterapia mostra alguns dos efeitos mais fortes.

    Na depressão, a musicoterapia somada ao tratamento habitual teve efeito grande sobre os sintomas, com evidência de qualidade moderada. Na esquizofrenia, melhorou o estado mental e o funcionamento social. No autismo, melhorou a interação social e a comunicação.

    Fontes: Aalbers et al. (2017), Geretsegger et al. (2017), Geretsegger et al. (2014)

  6. Peso alto

    Na reabilitação após AVC, o ritmo ajuda a andar.

    Em 29 estudos, o ritmo usado como guia aumentou a velocidade e o tamanho do passo de pessoas que tiveram AVC, com evidência de qualidade moderada.

    Fontes: Magee et al. (2017)

  7. Peso moderado

    No fim da vida, melhor qualidade de vida; para a dor, ainda inconclusivo.

    A revisão de musicoterapia em cuidados de fim de vida encontrou melhora da qualidade de vida em dois estudos, e efeito não significativo sobre a dor. Foi atualizada em 2016 por uma revisão que encontrou redução da dor.

    Fontes: Bradt e Dileo (2010)

  8. Peso moderado

    Para dormir melhor e respirar melhor, resultados mais modestos.

    Ouvir música melhorou a qualidade do sono relatada por adultos com insônia, sem mudar o tempo total de sono. O canto em grupo melhorou a qualidade de vida física de pessoas com doença pulmonar crônica, em estudos pequenos.

    Fontes: Jespersen et al. (2015), McNamara et al. (2017)

O que isso não significa

  • Que a evidência é definitiva. A maioria das revisões classifica a certeza como baixa ou muito baixa, porque os estudos são pequenos e não podem esconder do paciente que há música.
  • Que música gravada e musicoterapia são a mesma coisa. As revisões separam as duas, e alguns efeitos aparecem só com musicoterapeuta.
  • Que um resultado numa área vale para todas. Cada revisão responde a uma pergunta, numa população específica.

Os estudos

Ordenados pelo peso da evidência. Os resumos são nossos; os links levam ao artigo original. Use "Citar" para copiar a referência em ABNT, Vancouver ou Chicago, ou selecione várias e copie todas de uma vez.

Revisão Cochrane · 2021 · 81 estudos · 5.576 participantes

Menos ansiedade, dor, depressão e fadiga, e mais esperança, com evidência de qualidade baixa.

  • População: Pessoas com câncer
  • Modalidade: Mista
  • Peso alto

Bradt J, Dileo C, Myers-Coman K, Biondo J (2021). "Music interventions for improving psychological and physical outcomes in people with cancer." Cochrane Database of Systematic Reviews, Issue 10. Art. CD006911.pub4.

Revisão Cochrane · 2013 · 26 estudos · 2.051 participantes

A música gravada reduziu a ansiedade antes da cirurgia.

  • População: Adultos antes de cirurgia
  • Modalidade: Gravada
  • Peso alto

Bradt J, Dileo C, Shim M (2013). "Music interventions for preoperative anxiety." Cochrane Database of Systematic Reviews, Issue 6. Art. CD006908.pub2.

Revisão Cochrane · 2013 · 26 estudos · 1.369 participantes

Menos ansiedade, com efeito maior quando o paciente escolheu a música.

  • População: Pessoas com doença coronariana
  • Modalidade: Mista
  • Peso alto

Bradt J, Dileo C, Potvin N (2013). "Music for stress and anxiety reduction in coronary heart disease patients." Cochrane Database of Systematic Reviews, Issue 12. Art. CD006577.pub3.

Revisão Cochrane · 2014 · 14 estudos · 805 participantes

Efeito grande sobre a ansiedade e respiração mais calma.

  • População: Adultos no respirador
  • Modalidade: Mista
  • Peso alto

Bradt J, Dileo C (2014). "Music interventions for mechanically ventilated patients." Cochrane Database of Systematic Reviews, Issue 12. Art. CD006902.pub3.

Revisão Cochrane · 2017

A musicoterapia somada ao tratamento habitual teve efeito grande sobre os sintomas depressivos.

  • População: Pessoas com depressão
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso alto

Aalbers S, Fusar-Poli L, Freeman RE, Spreen M, Ket JCF, Vink AC, Maratos A, Crawford M, Chen XJ, Gold C (2017). "Music therapy for depression." Cochrane Database of Systematic Reviews, Issue 11. Art. CD004517.pub3.

Revisão Cochrane · 2017 · 18 ensaios · 1.215 participantes

Melhora do estado mental e do funcionamento social, somada ao cuidado habitual.

  • População: Pessoas com esquizofrenia
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso alto

Geretsegger M, Mössler KA, Bieleninik Ł, Chen XJ, Heldal TO, Gold C (2017). "Music therapy for people with schizophrenia and schizophrenia-like disorders." Cochrane Database of Systematic Reviews, Issue 5. Art. CD004025.pub4.

Revisão Cochrane · 2014 · 10 estudos

Melhora da interação social, da comunicação e da iniciativa.

  • População: Pessoas com autismo
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso alto

Geretsegger M, Elefant C, Mössler KA, Gold C (2014). "Music therapy for people with autism spectrum disorder." Cochrane Database of Systematic Reviews, Art. CD004381.pub3. (Publicada originalmente em 2014; republicada editada, sem mudança de conclusões, na Issue 3 de 2016. Atualiza a revisão original de 2006.)

Revisão Cochrane · 2017 · 29 estudos · 775 participantes

O ritmo como guia melhorou a velocidade e o passo na marcha.

  • População: Adultos com lesão cerebral, sobretudo AVC
  • Modalidade: Mista
  • Peso alto

Magee WL, Clark I, Tamplin J, Bradt J (2017). "Music interventions for acquired brain injury." Cochrane Database of Systematic Reviews, Issue 1. Art. CD006787.pub3.

Revisão Cochrane · 2016 · 52 estudos · 3.731 participantes

A versão anterior da revisão sobre câncer, atualizada em 2021.

  • População: Pessoas com câncer
  • Modalidade: Mista
  • Peso moderado

Bradt J, Dileo C, Magill L, Teague A (2016). "Music interventions for improving psychological and physical outcomes in cancer patients." Cochrane Database of Systematic Reviews, Issue 8. Art. CD006911.pub3.

Revisão Cochrane · 2010 · 5 estudos · 175 participantes

Melhor qualidade de vida; efeito sobre a dor não significativo nesta versão.

  • População: Pessoas em cuidados de fim de vida
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso moderado

Bradt J, Dileo C (2010). "Music therapy for end-of-life care." Cochrane Database of Systematic Reviews, Issue 1. Art. CD007169.pub2.

Revisão Cochrane · 2015 · 6 estudos · 314 participantes

Melhora da qualidade do sono relatada, sem mudar o tempo de sono.

  • População: Adultos com insônia
  • Modalidade: Gravada
  • Peso moderado

Jespersen KV, Koenig J, Jennum P, Vuust P (2015). "Music for insomnia in adults." Cochrane Database of Systematic Reviews, Issue 8. Art. CD010459.pub2.

Revisão Cochrane · 2017 · 3 estudos · 112 participantes

O canto em grupo melhorou a qualidade de vida física, em estudos pequenos.

  • População: Adultos com doença pulmonar obstrutiva crônica
  • Modalidade: Mista
  • Peso baixo

McNamara RJ, Epsley C, Coren E, McKeough ZJ (2017). "Singing for adults with chronic obstructive pulmonary disease." Cochrane Database of Systematic Reviews, Issue 12. Art. CD012296.pub2.