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Música, ciência e saúde · Cuidados paliativos e fim de vida

Qual o lugar da música no fim da vida?

Menos dor e ansiedade, mais conforto, e um cuidado que alcança a família. Um campo que nasceu junto com os próprios cuidados paliativos.

18 estudos curados · mais 3 no acervo · Como ler a evidência

Em resumo

A música entrou nos cuidados paliativos junto com eles: o primeiro programa de musicoterapia num serviço de paliativos foi criado em 1977, em Montreal, um ano depois da primeira unidade do gênero. Desde então, a pesquisa olha para quatro dimensões do sofrimento: física, emocional, social e espiritual.

Os estudos mostram efeitos sobre a dor e a ansiedade, com evidência ainda limitada, e muito sobre o que não se mede facilmente: a comunicação da família, a despedida, a forma como cada cultura vive a doença.

O que a pesquisa mostra

  1. Peso moderado

    Em cuidados paliativos, a musicoterapia reduz a dor relatada.

    A revisão sistemática mais recente sobre fim de vida reuniu três ensaios com 245 pacientes e encontrou redução da dor, sem diferença entre os estudos. O maior deles, com 200 pacientes, mostrou que uma única sessão de 20 minutos já reduz a dor. Os autores classificam a evidência como fraca e pedem estudos maiores.

    Fontes: McConnell et al. (2016), Gutgsell et al. (2013)

  2. Peso alto

    Em pessoas com câncer, a música reduz ansiedade, depressão e dor.

    Uma metanálise de 32 ensaios com 3.181 pessoas em tratamento oncológico encontrou redução de ansiedade, depressão e dor, e melhora da qualidade de vida em dois estudos. A maior parte dos estudos usou música gravada.

    Fontes: Zhang et al. (2012), Archie et al. (2013)

  3. Peso moderado

    Durante a quimioterapia, uma sessão em grupo já reduz a ansiedade.

    Num ensaio em vários hospitais da Colômbia, com 110 pacientes, uma única sessão de musicoterapia em grupo reduziu a ansiedade e melhorou o bem-estar. Um estudo anterior, com 141 pacientes e 51 acompanhantes, já tinha encontrado o mesmo, com efeito ainda maior nos acompanhantes.

    Fontes: Ettenberger et al. (2025), Salgado-Vasco et al. (2025)

  4. Peso moderado

    A qualidade de vida melhorou em alguns estudos, e a evidência ainda não é suficiente.

    Num ensaio com 80 pessoas em hospice, a qualidade de vida melhorou com a musicoterapia mesmo enquanto a saúde física piorava. A revisão mais recente, porém, conclui que ainda não há evidência suficiente para afirmar esse efeito.

    Fontes: Hilliard (2005), McConnell et al. (2016)

  5. Peso moderado

    Os pacientes descrevem relaxamento, expressão e conexão.

    Uma revisão que juntou números e relatos encontrou redução da dor em cinco de sete estudos com música ao vivo, e mostrou como os pacientes descrevem a experiência: relaxar, mudar a percepção do corpo, expressar o que sentem e se conectar com quem está perto.

    Fontes: Schmid et al. (2018)

  6. Peso baixo

    Nos cuidados paliativos de crianças, o benefício chega à família.

    Pais de crianças em cuidados paliativos relatam que a musicoterapia trouxe conforto ao filho e abriu canais de comunicação na família que não existiam antes. Em adolescentes em transplante de medula, um ensaio com 113 participantes encontrou mais coragem para enfrentar o tratamento e um ambiente familiar melhor.

    Fontes: Lindenfelser et al. (2012), Robb et al. (2014)

  7. Peso baixo

    Cada encontro é também um encontro entre culturas.

    O repertório, o idioma e a forma de envolver a família mudam conforme a cultura de cada paciente. A literatura propõe ler a cultura da família, a do profissional e a do serviço antes de escolher a música.

    Fontes: Forrest (2011), Forrest (2014)

  8. Peso moderado

    Cuidados paliativos começam no diagnóstico, não no fim.

    A Academia Americana de Pediatria defende, desde 2000, que os cuidados paliativos de crianças comecem no diagnóstico, junto com o tratamento: acrescentar vida aos anos da criança, e não apenas anos à vida.

    Fontes: American e Committee (2000), Section et al. (2013)

O que isso não significa

  • Que a música prolonga a vida ou cura. Os estudos buscam conforto e qualidade de vida, e um deles mostra justamente que a música não muda o tempo de vida.
  • Que todos querem música no fim da vida. A oferta é sempre um convite, e a recusa é respeitada como parte do cuidado.
  • Que os efeitos estão bem estabelecidos. A redução da dor tem evidência consistente, mas ainda fraca, e os pesquisadores pedem estudos maiores.

Os estudos

Ordenados pelo peso da evidência. Os resumos são nossos; os links levam ao artigo original. Use "Citar" para copiar a referência em ABNT, Vancouver ou Chicago, ou selecione várias e copie todas de uma vez.

Metanálise · 2012 · 32 ensaios · 3.181 participantes

Menos ansiedade, depressão e dor, e melhor qualidade de vida em dois estudos. A maior parte com música gravada.

  • População: Pessoas com câncer, em várias fases do tratamento
  • Modalidade: Mista
  • Peso alto

Zhang JM, Wang P, Yao JX, Zhao L, Davis MP, Walsh D, Yue GH (2012). "Music interventions for psychological and physical outcomes in cancer: a systematic review and meta-analysis." Supportive Care in Cancer.

Revisão sistemática · 2016 · 3 ensaios · 245 pacientes

Redução consistente da dor; evidência fraca, e insuficiente para qualidade de vida.

  • População: Adultos em cuidados paliativos
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso moderado

McConnell T, Scott D, Porter S (2016). "Music therapy for end-of-life care: An updated systematic review." Palliative Medicine 30(9):877-883. School of Nursing and Midwifery, Queen's University Belfast, Reino Unido.

Ensaio randomizado · 2013 · 200 pacientes

Uma sessão de 20 minutos, com relaxamento guiado e harpa ao vivo, reduziu a dor mais que o cuidado habitual.

  • População: Adultos em cuidados paliativos
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso moderado

Gutgsell KJ, Schluchter M, Margevicius S, DeGolia PA, McLaughlin B, Harris M, Mecklenburg J, Wiencek C (2013). "Music Therapy Reduces Pain in Palliative Care Patients: A Randomized Controlled Trial." Journal of Pain and Symptom Management 45(5):822-831. University Hospitals Case Medical Center, Cleveland.

Ensaio randomizado · 2025 · 110 pacientes

Uma única sessão de musicoterapia em grupo reduziu a ansiedade e melhorou o bem-estar.

  • População: Adultos em quimioterapia, em vários hospitais
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso moderado

Ettenberger M, Reyes-Aragón L, Díaz AM, Suárez R, Amarillo M, Naranjo M, Colmenares-Mejía CC (2025). "Effect of group music therapy on state-anxiety and well-being levels of oncology patients undergoing chemotherapy: a multi-center randomized clinical trial." Frontiers in Psychiatry 16:1658503.

Estudo de coorte · 2025 · 141 pacientes · 51 acompanhantes

Menos ansiedade e estresse e mais bem-estar, com efeito ainda maior nos acompanhantes.

  • População: Pacientes em quimioterapia e seus acompanhantes
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso baixo

Salgado-Vasco A, Torres-Morales J, Durán-Rojas CI, Beltrán-Sánchez LY, Amarillo M, Ettenberger M (2025). "The impact of group music therapy on anxiety, stress, and wellbeing levels, and chemotherapy-induced side effects for oncology patients and their caregivers during chemotherapy: a retrospective cohort study." BMC Complementary Medicine and Therapies 25:124.

Revisão integrativa · 2018 · 12 estudos

Junta números e relatos: menos dor na maioria dos estudos, e pacientes que descrevem relaxamento, expressão e conexão.

  • População: Adultos em cuidados paliativos
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso moderado

Schmid W, Rosland JH, von Hofacker S, Hunskår I, Bruvik F (2018). "Patient's and health care provider's perspectives on music therapy in palliative care – an integrative review." BMC Palliative Care 17:32. POLYFON, Universidade de Bergen.

Revisão narrativa · 2013

Reúne os efeitos sobre dor, ansiedade e qualidade de vida e os mecanismos cerebrais que podem explicá-los.

  • População: Pessoas com câncer
  • Modalidade: Mista
  • Peso moderado

Archie P, Bruera E, Cohen L (2013). "Music-based interventions in palliative cancer care: a review of quantitative studies and neurobiological literature." Supportive Care in Cancer 21(9):2609-2624.

Revisão · 2005 · 11 estudos

A qualidade de vida melhorou com a musicoterapia mesmo enquanto a saúde física piorava, sem mudar o tempo de vida.

  • População: Pessoas em hospice e cuidados paliativos
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso moderado

Hilliard RE (2005). "Music Therapy in Hospice and Palliative Care: a Review of the Empirical Data." Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine (Oxford University Press).

Ensaio randomizado · 2014 · 113 participantes

Compor um videoclipe com musicoterapeuta aumentou a coragem para enfrentar o tratamento e melhorou o ambiente familiar.

  • População: Adolescentes e jovens em transplante de medula
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso moderado

Robb SL, Burns DS, Stegenga KA, et al. (2014). "Randomized Clinical Trial of Therapeutic Music Video Intervention for Resilience Outcomes in Adolescents/Young Adults Undergoing Hematopoietic Stem Cell Transplant: A Report From the Children's Oncology Group." Cancer 120(6):909-917.

Estudo de métodos mistos · 2012 · 14 famílias

Os pais relatam mais conforto para o filho e uma comunicação familiar que não existia antes.

  • População: Famílias de crianças em cuidados paliativos
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso baixo

Lindenfelser KJ, Hense C, McFerran K (2012). "Music Therapy in Pediatric Palliative Care: Family-Centered Care to Enhance Quality of Life." American Journal of Hospice & Palliative Medicine 29(3):219-226.

Declaração de política · 2000

O modelo de cuidados paliativos pediátricos desde o diagnóstico, junto com o tratamento.

  • População: Crianças
  • Modalidade: Mista
  • Peso moderado

American Academy of Pediatrics, Committee on Bioethics and Committee on Hospital Care (2000). "Palliative Care for Children." Pediatrics 106(2):351-357.

Diretriz · 2013

Atualiza o modelo de 2000 em seis compromissos centrais de cuidado.

  • População: Do feto ao adulto jovem
  • Modalidade: Mista
  • Peso moderado

Section on Hospice and Palliative Medicine and Committee on Hospital Care (Feudtner, Friebert, Jewell) (2013). "Pediatric Palliative Care and Hospice Care Commitments, Guidelines, and Recommendations." Pediatrics 132(5):966-972.

Artigo conceitual · 2011

Propõe ler a cultura do paciente, a do profissional e a do serviço antes de escolher a música.

  • População: Adultos em cuidados paliativos
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso baixo

Forrest L (2011). "Supportive Cancer Care at the End of Life: Mapping the Cultural Landscape in Palliative Care and Music Therapy." Music and Medicine 3(1):9-14. Mercy Palliative Care, Melbourne, Austrália.

Artigo conceitual · 2014

Leva a mesma leitura cultural para o cuidado de crianças em casa.

  • População: Crianças em cuidados paliativos em casa
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso baixo

Forrest L (2014). "Your song, my song, our song: developing music therapy programs for a culturally diverse community in home-based paediatric palliative care." Australian Journal of Music Therapy 25:15-27 (edição especial "Regarding culture in music therapy").

Revisão clínica · 2007

Como a equipe de emergência pode aplicar os princípios dos cuidados paliativos pediátricos.

  • População: Crianças no fim da vida
  • Modalidade: Mista
  • Peso baixo

Michelson KN, Steinhorn DM (2007). "Pediatric End-of-Life Issues and Palliative Care." Clinical Pediatric Emergency Medicine 8(3):212-219. Northwestern University/Children's Memorial Hospital, Chicago.

Artigo de educação clínica · 2015

Técnicas de comunicação com famílias, a partir de um caso em UTI pediátrica.

  • População: Famílias de crianças no fim da vida
  • Modalidade: Mista
  • Peso baixo

Mullen JE, Reynolds MR, Larson JS (2015). "Caring for Pediatric Patients' Families at the Child's End of Life." Critical Care Nurse 35(6):46-56. Shands Children's Hospital, University of Florida.

Relato de programa · 1978

O primeiro artigo sobre musicoterapia em cuidados paliativos, com o modelo das quatro dimensões do sofrimento.

  • População: Adultos em cuidados paliativos
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso baixo

Munro S, Mount B (1978). "Music therapy in palliative care." Canadian Medical Association Journal 119(9):1029-1034. Serviço de Cuidados Paliativos, Royal Victoria Hospital, Montreal (McGill).

Artigo de prática · 2002

Histórico e vinhetas clínicas da musicoterapia em hospice.

  • População: Adultos em hospice
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso baixo

O'Kelly J (2002). "Music therapy in palliative care: current perspectives." International Journal of Palliative Nursing 8(3):130-136. Torbay and South Devon Hospice, Reino Unido.