Experiência do paciente
A linguagem musical abre espaço para que a pessoa seja recebida no hospital como alguém completo, com gosto, história, poder de escolha e repertório.
“…É uma segunda terapia. Se o meu tratamento está no braço esquerdo, a música está no direito.”
A linguagem musical abre espaço para que a pessoa seja recebida no hospital como alguém completo, com gosto, história, poder de escolha e repertório.
Especialista que utiliza o musicar como ferramenta principal para oferecer benefícios e atenção à saúde no ambiente hospitalar, com o objetivo de apoiar a experiência do paciente e contribuir com a humanização hospitalar por meio do cuidado centrado na pessoa.
Em duos, as equipes se apresentam, pedem licença e convidam pacientes, familiares e profissionais a serem protagonistas de um encontro musical (ou, um musicar).
Em silêncio pelo corredor No deslocamento, o instrumento não toca. Todo som comunica.
Mãos higienizadas Antes e depois. Protocolos de segurança vêm antes de qualquer regra nossa.
Licença para entrar A dupla se apresenta e pergunta. Um “agora não” é sempre respeitado.
Música feita junto O repertório nasce da conversa com quem está ali.
A despedida A última canção é combinada. A dupla agradece por ter sido recebida e diz se e quando volta. Por que música?
Segura e de baixo custo: Cole e LoBiondo-Wood, 2014, revisão de 17 ensaios com 1.937 adultos internados.
Toque nas notas para ouvir a melodia. Cada nota marca um dos benefícios da música no ambiente hospitalar, escrito ao lado dela.
Conferir a evidência e como entra no atendimento
O que a pesquisa diz. Lee, 2016: metanálise de 97 ensaios com 9.184 participantes, a revisão de referência sobre música e dor. Ting, 2022: 38 ensaios com crianças e adolescentes. A dor relatada cai de forma pequena a moderada, e o efeito é maior quando o paciente escolhe a música (Garza-Villarreal, 2017).
Na prática. A dupla pergunta antes de tocar, deixa o paciente escolher a canção e ajusta volume e andamento ao que ele mostra. A música acompanha o cuidado; nunca substitui a analgesia.
O que a pesquisa diz. Kuhlmann, 2018: metanálise de 92 ensaios com 7.385 pacientes cirúrgicos, com menos ansiedade e menos dor antes, durante e depois da cirurgia. Bradt, 2013 (Cochrane): 26 estudos com 2.051 participantes, com redução da ansiedade pré-operatória, em certeza baixa.
Na prática. Atuamos em salas de espera, na quimioterapia e nos corredores, onde a espera pesa. Quando o paciente pede calma, o repertório fica mais lento e mais baixo.
O que a pesquisa diz. Bradt, 2021 (Cochrane): 81 estudos com 5.576 pessoas com câncer, com menos ansiedade, dor e fadiga, e mais esperança. Muitos estudos têm alto risco de viés, e a certeza é baixa a muito baixa.
Na prática. Metade dos hospitais públicos em que atuamos é de oncologia (ICESP, GRAACC e ITACI). A dupla volta aos mesmos setores com regularidade e retoma as canções de quem já conhece.
O que a pesquisa diz. Peters, 2024: metanálise de 8 ensaios com 441 participantes em que as pessoas tocam, cantam ou criam música (o musicar). Efeito moderado na regulação emocional, maior em intervenções mais longas. Os autores alertam que ainda há poucos estudos bons.
Na prática. Ninguém só assiste: o paciente escolhe, canta, marca o ritmo ou pede para repetir. Musicar junto é o que separa o atendimento de uma apresentação.
O que a pesquisa diz. Rossetti, 2023: ensaio piloto com 160 pacientes e cuidadores numa sala de espera de radioterapia. Com música no ambiente, a ansiedade caiu e a espera pareceu mais curta. Canga, 2012: estudo piloto, sem grupo controle, numa sala de quimioterapia.
Na prática. Nos espaços coletivos, a música é para quem está ali: pacientes, acompanhantes e equipe. O volume e o lugar são combinados com a equipe do setor.
O que a pesquisa diz. Guida, 2019: estudo qualitativo sobre o próprio trabalho do Saracura num hospital de São Paulo, com crianças de até 6 anos. Acompanhantes, músicos e técnicos de enfermagem descrevem distração, sorrisos, canto e mais interação entre criança, família e equipe, que continua depois da visita. Não há grupo controle.
Na prática. Convidamos acompanhantes e profissionais a cantar junto. O repertório da infância e da música brasileira atravessa gerações e abre conversa.
A maior parte dos estudos mede música gravada ou sessões de musicoterapia. A nossa prática é música ao vivo, feita por duplas de músicos no quarto, no leito e nos espaços coletivos. Os resultados indicam uma direção; não garantem o mesmo efeito em cada encontro.
Conferir a evidência e como entra no atendimento
O que a pesquisa diz. Canga, 2012: em uma sala de quimioterapia, a maioria de 52 pacientes, cuidadores e profissionais disse que a música mudou o ambiente. Dois profissionais a acharam perturbadora, por falta de espaço para conversar com os pacientes. É um estudo piloto, sem grupo controle.
Na prática. Em silêncio pelo corredor, volume combinado, mãos higienizadas antes e depois. Os protocolos do hospital vêm antes de qualquer regra nossa.
O que a pesquisa diz. No nosso acervo ainda não há estudo que meça o efeito de música ao vivo sobre o bem-estar das equipes hospitalares. É um objetivo da nossa prática.
Na prática. Quando um profissional pede, a dupla toca para ele também.
O que a pesquisa diz. Sem estudo específico no acervo. É um objetivo da prática.
Na prática. Pausas curtas, combinadas com a equipe do setor, que não interrompem o trabalho clínico.
O que a pesquisa diz. Sem estudo específico no acervo. É um objetivo da prática.
Na prática. Canções que todo mundo conhece, cantadas por pacientes, famílias e profissionais no mesmo espaço.
O que a pesquisa diz. Sem estudo específico no acervo. É um objetivo da prática.
Na prática. Palestras, seminários abertos e o coral de voluntários Revoada, previstos no Plano Anual 2027.
O que a pesquisa diz. No nosso acervo não há estudo que mostre esse efeito com música ao vivo no hospital. É um objetivo da prática, não um resultado medido.
Na prática. Pacientes de longa permanência reencontram a dupla e as canções de que gostam, o que dá à rotina do tratamento um momento esperado.
A forma como os cuidados são prestados é tão importante quanto o próprio cuidado.
O protocolo do hospital vem antes de qualquer regra nossa.
As duplas seguem sempre todas as normas de cada unidade sobre higiene, paramentação, deslocamento, esquema vacinal, acesso e isolamentos de contato…
Seis hospitais públicos de São Paulo, todos com atendimento gratuito pelo SUS.
Pacientes, familiares e acompanhantes, equipes e transeuntes.




