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Música, ciência e saúde · UTI de adultos e ventilação

A música ajuda quem está sob ventilação mecânica?

Em pacientes no respirador, a música reduz a ansiedade e acalma a respiração. O maior ensaio da área saiu no JAMA, com 373 pacientes.

6 estudos curados · Como ler a evidência

Em resumo

Estar acordado e ligado a um respirador é uma das experiências mais difíceis da UTI: falta de ar, medo, desconforto e a impossibilidade de falar. A ansiedade dos pacientes ventilados é alta, e boa parte da sedação existe para controlá-la.

A pesquisa com música nessa situação é das mais sólidas em adultos, com revisão Cochrane, um grande ensaio clínico e estudos que acompanham o desmame do respirador.

O que a pesquisa mostra

  1. Peso alto

    A música reduz a ansiedade de pacientes no respirador.

    A revisão Cochrane, com 14 estudos, encontrou um efeito grande sobre a ansiedade e reduções consistentes na frequência respiratória e na cardíaca. A qualidade da evidência é baixa, pelo tamanho dos estudos.

    Fontes: Bradt e Dileo (2014)

  2. Peso alto

    No maior ensaio da área, a música escolhida reduziu a ansiedade em mais de um terço.

    Num ensaio publicado no JAMA, com 373 pacientes em 12 UTIs, a música escolhida com um musicoterapeuta e ouvida pelo próprio paciente reduziu a ansiedade em 36% até o quinto dia, e diminuiu a frequência e a intensidade da sedação. Fones que só cancelam o ruído tiveram efeito próximo sobre a ansiedade, o que mostra o peso do silêncio na UTI.

    Fontes: Chlan et al. (2013)

  3. Peso baixo

    Durante o desmame do respirador, uma sessão de 20 minutos acalmou corpo e mente.

    Num estudo francês com 30 pacientes conscientes, uma sessão conduzida por musicoterapeuta reduziu batimentos, pressão, respiração e dor, com efeito parecido em quem estava intubado e em quem não estava.

    Fontes: Jaber et al. (2007)

  4. Peso baixo

    O efeito sobre o corpo aparece durante a música e se desfaz depois.

    Em pacientes ventilados na Suécia, a pressão sistólica caiu durante a música e voltou a subir uma hora depois. A revisão de 18 estudos sobre ventilação mostra o mesmo padrão: alívio enquanto a música dura.

    Fontes: Almerud e Petersson (2003), Hetland et al. (2015)

  5. Peso baixo

    O alívio do estresse aparece também em pacientes conscientes, fora do respirador.

    Num estudo com 51 pacientes de UTIs cardíacas e respiratórias, 30 minutos de música calma reduziram as respostas de estresse.

    Fontes: Johnson (1991)

O que isso não significa

  • Que a música dispensa a sedação. Ela reduziu a necessidade de sedativos num grande ensaio, mas sempre ao lado do cuidado médico.
  • Que os efeitos sobre o corpo duram. Os batimentos e a pressão melhoram durante a música e voltam depois; o benefício é de conforto, não de cura.
  • Que mais som é sempre melhor. Na UTI, reduzir o ruído já ajuda, e a música precisa ser escolhida e dosada.

Os estudos

Ordenados pelo peso da evidência. Os resumos são nossos; os links levam ao artigo original. Use "Citar" para copiar a referência em ABNT, Vancouver ou Chicago, ou selecione várias e copie todas de uma vez.

Ensaio randomizado · 2013 · 373 pacientes

A música escolhida com musicoterapeuta reduziu a ansiedade e a sedação; fones de cancelamento de ruído tiveram efeito próximo na ansiedade.

  • População: Adultos no respirador, em 12 UTIs
  • Modalidade: Gravada
  • Peso alto

Chlan LL, Weinert CR, Heiderscheit A, Tracy MF, Skaar DJ, Guttormson JL, Savik K (2013). "Effects of Patient-Directed Music Intervention on Anxiety and Sedative Exposure in Critically Ill Patients Receiving Mechanical Ventilatory Support: A Randomized Clinical Trial." JAMA 309(22):2335-2344. NCT00440700.

Revisão Cochrane · 2014 · 14 estudos

Efeito grande sobre a ansiedade e respiração mais calma, com evidência de qualidade baixa.

  • População: Adultos no respirador
  • Modalidade: Mista
  • Peso alto

Bradt J, Dileo C (2014). "Music interventions for mechanically ventilated patients." Cochrane Database of Systematic Reviews, Issue 12. Art. CD006902.pub3.

Revisão narrativa · 2015 · 18 estudos

Reúne os efeitos da música sobre ansiedade, sedação e sinais vitais durante a ventilação e o desmame.

  • População: Adultos no respirador e no desmame
  • Modalidade: Mista
  • Peso moderado

Hetland B, Lindquist R, Chlan LL (2015). "The influence of music during mechanical ventilation and weaning from mechanical ventilation: A review." Heart & Lung 44(5):416-425.

Estudo cruzado randomizado · 2007 · 30 pacientes

Uma sessão de 20 minutos reduziu batimentos, pressão, respiração e dor.

  • População: Adultos conscientes em UTI, no desmame ou sem respirador
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso baixo

Jaber S, Bahloul H, Guétin S, Chanques G, Sebbane M, Eledjam J-J (2007). "Effets de la musicothérapie en réanimation hors sédation chez des patients en cours de sevrage ventilatoire versus des patients non ventilés." Annales Françaises d'Anesthésie et de Réanimation 26(1):30-38.

Estudo quase-experimental · 2003 · 20 pacientes

A pressão caiu durante a música e voltou a subir depois; os pacientes relataram a experiência em entrevistas.

  • População: Adultos no respirador
  • Modalidade: Gravada
  • Peso baixo

Almerud S, Petersson K (2003). "Music therapy—a complementary treatment for mechanically ventilated intensive care patients." Intensive and Critical Care Nursing 19(1):21-30.

Dissertação de mestrado · 1991 · 51 pacientes

Trinta minutos de música calma reduziram as respostas de estresse.

  • População: Adultos conscientes em UTI
  • Modalidade: Gravada
  • Peso baixo

Johnson NL (1991). The Effect of Music Therapy on Intensive Care Patients. Tese de Mestrado (M.S.N.), University of Nevada, Las Vegas.