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Música, ciência e saúde · Panorama e método

Como se pesquisa música em saúde?

O mapa do campo: o que a Organização Mundial da Saúde reuniu sobre artes e saúde, como se define musicoterapia e por que a forma de relatar um estudo importa.

9 estudos curados · mais 5 no acervo · Como ler a evidência

Em resumo

Antes de perguntar se a música funciona, vale perguntar como se pesquisa música em saúde. Quem escolhe a música? Quem toca? Ao vivo ou gravada? Essas diferenças mudam os resultados, e muitos estudos não as descrevem.

Este tema reúne as obras de referência: o grande panorama da OMS, as definições de musicoterapia, as diretrizes de pesquisa e alguns estudos que olham para o hospital de ângulos pouco comuns.

O que a pesquisa mostra

  1. Peso moderado

    A OMS reuniu mais de 3.000 estudos sobre artes e saúde.

    A revisão de escopo da OMS Europa mostra o papel das artes na prevenção, na promoção da saúde e no tratamento, ao longo de toda a vida. A maior parte da evidência sobre música, ali, é de música gravada.

    Fontes: Fancourt e Finn (2019)

  2. Peso moderado

    Muitos estudos não descrevem a música que usaram.

    Diretrizes de relato propõem sete componentes que todo estudo deveria informar, como quem escolheu a música, quem a conduziu e por quanto tempo. Sem isso, não dá para comparar nem repetir os resultados.

    Fontes: Robb et al. (2011)

  3. Peso baixo

    Até a definição de musicoterapia mudou com o tempo.

    Kenneth Bruscia reviu sua definição três vezes, a partir da análise de 102 definições publicadas: de um processo para "alcançar" a saúde para um processo reflexivo, que a "promove" de forma contínua.

    Fontes: Bruscia (2014)

  4. Peso baixo

    Música durante procedimentos é um campo próprio.

    O suporte procedural é a música usada antes, durante e depois de procedimentos dolorosos para reduzir ansiedade e dor. Na UTI neonatal, uma avaliação cética lembra que os estudos são poucos e que o volume sonoro precisa respeitar os limites para bebês.

    Fontes: Beer e Lee (2017), Allen (2013)

  5. Peso moderado

    A música também afeta quem trabalha no hospital.

    Uma revisão de 18 estudos sobre cirurgiões encontrou benefícios na concentração e no aprendizado de tarefas, e um custo: com música ligada, a equipe precisou repetir mais pedidos uns aos outros.

    Fontes: El e Ewalds-Kvist (2020)

  6. Peso baixo

    A pesquisa avança para o corpo inteiro.

    Revisões recentes organizam os efeitos da música no fim da vida pela ligação entre emoção, hormônios e imunidade, e pedem estudos maiores com critérios claros de escolha da música. Sobre o sono, a proposta é usar canções familiares adaptadas ao ritmo da respiração.

    Fontes: Terzoni et al. (2025), Loewy (2019)

O que isso não significa

  • Que um panorama amplo vale como prova para cada situação. Cada achado precisa ser lido na sua população e na sua modalidade.
  • Que todo estudo com música é comparável. Música gravada, musicoterapia e música ao vivo são intervenções diferentes.

Os estudos

Ordenados pelo peso da evidência. Os resumos são nossos; os links levam ao artigo original. Use "Citar" para copiar a referência em ABNT, Vancouver ou Chicago, ou selecione várias e copie todas de uma vez.

Revisão de escopo (OMS) · 2019 · mais de 3.000 estudos

O panorama da OMS sobre o papel das artes na saúde e no bem-estar.

  • População: Toda a vida, várias artes
  • Modalidade: Mista
  • Peso moderado

Fancourt D, Finn S (2019). What is the evidence on the role of the arts in improving health and well-being? A scoping review. Copenhagen: WHO Regional Office for Europe (Health Evidence Network synthesis report 67).

Diretriz metodológica · 2011

Os sete componentes que todo estudo com música deveria relatar.

  • População: Pesquisa em música e saúde
  • Modalidade: Mista
  • Peso moderado

Robb SL, Burns DS, Carpenter JS (2011). "Reporting Guidelines for Music-based Interventions." Music and Medicine 3(4):271-279. (Também em Journal of Health Psychology 16(2):342-352.)

Livro · 2014

A obra de referência sobre o que é, e o que não é, musicoterapia.

  • População: Musicoterapia
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso baixo

Bruscia KE (2014). Defining Music Therapy, 3ª edição. Barcelona Publishers. O texto teórico fundacional do campo, escrito pelo teórico mais citado da musicoterapia — fonte primária que verifica e expande significativamente o que o brain tinha apenas de citações de segunda mão (slides de curso).

Revisão sistemática · 2020 · 18 estudos

Benefícios para a tarefa e prejuízo para a comunicação da equipe.

  • População: Equipes cirúrgicas
  • Modalidade: Gravada
  • Peso moderado

El Boghdady M, Ewalds-Kvist BM (2020). "The influence of music on the surgical task performance: A systematic review." International Journal of Surgery.

Artigo conceitual · 2017

Uma definição de campo para a música durante procedimentos dolorosos.

  • População: Pacientes em procedimentos
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso baixo

Beer LE, Lee K (2017). "Music Therapy and Procedural Support: Defining and Identifying Areas of Practice." Music and Medicine.

Nota de prática · 2013 · 4 estudos · 75 bebês

Uma leitura cautelosa da evidência, com alerta sobre o volume sonoro.

  • População: Bebês na UTI neonatal
  • Modalidade: Mista
  • Peso baixo

Allen KA (2013). "Music Therapy in the NICU: Is There Evidence to Support Integration for Procedural Support?" (

Revisão narrativa · 2025

Os efeitos biológicos da música pela ligação entre emoção, hormônios e imunidade.

  • População: Pacientes em fim de vida
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso baixo

Terzoni S, De Vita A, Ferrara P, Sacchini F, Cangelosi G, Mancin S, Petrelli F, Lopane D, Milani A, Parozzi M, Lusignani M (2025). "Biological Effects of Music Therapy in End-of-Life Care: A Narrative Review." Medicina 61(9):1690.

Artigo de revisão · 2019

Um protocolo com canções familiares para favorecer o sono.

  • População: Do recém-nascido ao idoso
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso baixo

Loewy J (2019). "Music Therapy as a Potential Intervention for Sleep Improvement." Nature and Science of Sleep (Dove Press). The Louis Armstrong Center for Music and Medicine, Mount Sinai Beth Israel, NY.

Artigo metodológico · 2004

Como se classificam e se desenham os ensaios clínicos.

  • População: Pesquisa clínica
  • Modalidade: Mista
  • Peso baixo

Lazcano-Ponce E, Salazar-Martínez E, Gutiérrez-Castrellón P, Angeles-Llerenas A, Hernández-Garduño A, Viramontes JL (2004). "Ensayos clínicos aleatorizados: variantes, métodos de aleatorización, análisis, consideraciones éticas y regulación." Salud Pública de México.