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Música, ciência e saúde · Distúrbios de consciência

Pessoas em coma respondem à música?

A música preferida desperta respostas que outros estímulos não alcançam, e ajuda a reconhecer a consciência de quem parece não responder.

6 estudos curados · Como ler a evidência

Em resumo

Pacientes em estado vegetativo ou minimamente consciente são difíceis de avaliar: em unidades especializadas, entre um terço e quase metade deles recebe diagnóstico errado sobre o próprio nível de consciência.

A música entra nesse campo de duas formas. Como instrumento de avaliação, porque a audição é o sentido mais sensível para detectar consciência. E como tratamento, ainda com evidência inicial.

O que a pesquisa mostra

  1. Peso baixo

    A música preferida, ao vivo, provoca respostas mensuráveis mesmo em quem parece não responder.

    Num estudo com 21 pacientes em estado vegetativo ou minimamente consciente, a música preferida tocada ao vivo provocou respostas no eletroencefalograma e no comportamento, como mais piscadas, sugerindo que a avaliação apenas pelo comportamento pode subestimar a consciência.

    Fontes: O'Kelly et al. (2013)

  2. Peso moderado

    Um instrumento de musicoterapia ajuda a diagnosticar o nível de consciência.

    O MATADOC, aplicado por musicoterapeutas, concordou fortemente com a principal escala de reabilitação numa auditoria com 42 pacientes, e foi mais sensível nos domínios auditivo e visual. Os dois instrumentos se complementam.

    Fontes: O'Kelly e Magee (2013), Magee e O'Kelly (2015)

  3. Peso baixo

    Como tratamento, a música ainda tem evidência inicial.

    Há relatos de casos e estudos pequenos sugerindo que a estimulação musical favorece a recuperação, mas faltam ensaios maiores e confirmação por imagem cerebral. Os pesquisadores pedem estudos colaborativos entre vários centros.

    Fontes: Schnakers et al. (2016)

  4. Peso baixo

    O campo pede diálogo entre musicoterapia e neurociência.

    A literatura reconhece duas tradições, uma centrada na música e outra em protocolos padronizados, e propõe aproximá-las para produzir evidência mais sólida.

    Fontes: O'Kelly e Magee (2013), O'Kelly et al. (2014)

O que isso não significa

  • Que a música "acorda" pacientes em coma. Ela pode revelar e estimular respostas, e a recuperação depende de muitos outros fatores.
  • Que qualquer música serve. Os estudos usam a música preferida e significativa para cada pessoa, e o nome do paciente cantado.
  • Que a avaliação dispensa a equipe médica. O instrumento musical complementa as escalas clínicas, não as substitui.

Os estudos

Ordenados pelo peso da evidência. Os resumos são nossos; os links levam ao artigo original. Use "Citar" para copiar a referência em ABNT, Vancouver ou Chicago, ou selecione várias e copie todas de uma vez.

Estudo experimental · 2013 · 21 pacientes · 20 controles

A música preferida ao vivo provocou respostas cerebrais e comportamentais mesmo em quem parecia sem consciência.

  • População: Pacientes em estado vegetativo ou minimamente consciente
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso baixo

O'Kelly J, James L, Palaniappan R, Taborin J, Fachner J, Magee WL (2013). "Neurophysiological and behavioral responses to music therapy in vegetative and minimally conscious states." Frontiers in Human Neuroscience 7:884.

Auditoria clínica · 2013 · 42 pacientes

O instrumento de musicoterapia concordou com a escala de referência e foi mais sensível na audição e na visão.

  • População: Pacientes em neurorreabilitação
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso moderado

O'Kelly J, Magee WL (2013). "The complementary role of music therapy in the detection of awareness in disorders of consciousness: An audit of concurrent SMART and MATADOC assessments." Neuropsychological Rehabilitation 23(2):287-298.

Revisão · 2015

Descreve o protocolo de avaliação musical e o estado da evidência na área.

  • População: Pacientes com distúrbios de consciência
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso moderado

Magee WL, O'Kelly J (2015). "Music therapy with disorders of consciousness: Current evidence and emergent evidence-based practice." Annals of the New York Academy of Sciences 1337(1).

Revisão narrativa · 2016

O que se sabe sobre estimulação sensorial e musical como tratamento, e o que falta pesquisar.

  • População: Pacientes com distúrbios de consciência
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso baixo

Schnakers C, Magee WL, Harris B (2016). "Sensory Stimulation and Music Therapy Programs for Treating Disorders of Consciousness." Frontiers in Psychology 7:297.

Relatório de conferência · 2014

A primeira conferência internacional sobre musicoterapia em neurodeficiência, com pesquisadores de 16 países.

  • População: Neurorreabilitação
  • Modalidade: Musicoterapia
  • Peso baixo

O'Kelly J, Magee WL, Street A, Fachner J, Drake A, Cahen J, Särkämö T, Ridder HM, Jungblut M, Melhuish R, Taylor D (2014). "Music Therapy Advances in Neuro-disability - Innovations in Research and Practice: Summary Report and Reflections on a Two-Day International Conference." Voices: A World Forum for Music Therapy 14(1).