A felicidade era tanta que a mãe começou a sorrir e dar risadas junto com a criança.
Por volta de 2010, fiz uma apresentação em dupla (dois violões cantadores) para uma criança com necessidades especiais. Como era de praxe na época, não tínhamos informações sobre o que íamos encontrar em cada quarto, e a criança não apresentava fisicamente nenhuma questão que destacasse qualquer situação de necessidades especiais. Assim, começamos a tocar normalmente.
Ao chegarmos às músicas mais animadas, a criança começou a expressar enorme euforia, que contaminou a todos (apenas a mãe estava presente). A felicidade era tanta que a mãe começou a sorrir e dar risadas junto com a criança, que não parava de pular, rir e gritar de alegria. Foi nesse momento que eu e o outro músico começamos a entrar na emoção e tivemos um ataque de riso incontrolável, a ponto de precisarmos encerrar a apresentação.
Depois de sair do quarto e retomar o fôlego e a concentração, seguimos para o quarto seguinte, com a estratégia de voltar mais tarde ao quarto em questão para finalizar o acolhimento com a criança e a mãe. Ao entrar no quarto seguinte, já mais calmos, e iniciar a música, percebemos que ainda estávamos sob efeito da euforia, e caímos no riso novamente. Nesse caso, pedimos desculpas à família, explicamos a situação ocorrida nos instantes anteriores e nos retiramos.
Tivemos que fazer um intervalo mais longo. Só depois dessa parada, quando nos retiramos do ambiente dos quartos para um café, conseguimos voltar e concluir o trabalho.
Lembro-me de que o momento ápice da euforia foi desencadeado pela música “O pato pateta”.